Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Domingo, Novembro 22, 2009
Se calhar, nem tudo está perdido...
... este era o título de uma msg enviada pelo meu bom amigo P. Calheiros, com um filme onde se via um adolescente de 16/17 anos, numa praia do norte da Europa (provavelmente) num dia de frio (pelos agasalhos dos transeuntes) a lançar-se a um braço de mar para salvar um cão de uma senhora de idade. O que fez, com eficaz sucesso e despretenciosismo. Como se fosse trivial.
Hoje, a jusante do bosque onde passeio, normalmente, os meus cães, pelas 14H30, vi um jovem de 10/11 anos atravessar a rua com três saquinhos de lixo nas mãos, em direcção ao ecoponto. Com o escrutínio feito, sem hesitar, deitou os sacos nos três sítios certos. Entretanto, vi-o agachar-se e começar a remexer na profusão de sacos que tinham sido despicientemente lançados para o chão, por pouco cuidosas mãos, decerto apressadas e adultas. Pensei, coitado, terá fome e anda a ver se encontra de comer. E ao mesmo tempo que um vago dó se me acercava da garganta, percebi, de repente, que o miúdo apenas vasculhava os sacos para saber do seu conteúdo e os deitar no ecoponto adequado. Demorou, talvez 10'. Deixou o sítio limpo, sacudiu as mãos e, sem olhar para trás, como um pardalito, a saltar, foi-se embora para casa, presumo. São exemplos destes que nos fazem acreditar que ainda há esperança. Este miúdo tem, de certeza, pais preocupados com a educação, com o ambiente e com o futuro, terá bons professores e, mais importante de tudo, tem uma consciência ecológica e rigores de cidadania que faltam a muitos adultos. Ganhei o dia!
Rond-point de Sernancelhe
Curiosamente, esta é uma região de França onde não existe uma comunidade portuguesa instalada. São poucos, contam-se por duas mãos, estão perfeitamente integrados e são muito discretos.
O que não impediu que toda a semana fosse consagrada a uma "Hommage au Portugal".
Assim, e nesse âmbito, numa pequena cidade vizinha (Béliers?), na noite do dia 17, fomos convidados a ir ao cinema, depois de uma acolhedora recepção/jantar na Mairie de Jacou. O cansaço não convidava mas a simpatia dos nossos anfitriões era tanta, que não soubemos recusar. Passava a versão francesa de "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros. O cinema cheio. O público era francês. Qual a minha admiração ao ouvir, a certa altura do filme, todos os espectadores, em coro, a cantar "Grândola, Vila Morena", com a letra integral, de cor... Foi um momento emotivo, porque feito com espontânea e vivida expressividade.
Dei comigo a pensar: isto em Portugal era inimaginável, por vergonha, atavismo, snobismo... Somos uns contidos/retraídos, e eles, aqueles gauleses, são do SUD, mediterrânicos puros, para quem o sentimento só importa se partilhado, ou melhor, muito e frequentemente partilhado...
O calor e a generosa afabilidade daquelas pessoas que tive o privilégio de conhecer, relembraram-me algumas coisas, por vezes esquecidas, como solidariedade, associativismo, genuíno interesse pelo outro. E isto, tem tanto mais valor, quanto o sentimos arredio do nosso quotidiano, na crescente endogeneização, 'repli sur-soi', vivência virtual, ausência de partilha, sendo esta o ponto alto da comunicação.
Não vim deslumbrado. Vim confortado. E hei-de voltar. E vou mandar cd's de fado ao Gérard, que tem 60 anos, andou a estudar português, que já fala muito bem, e sabe da nossa História, costumes e tradições , mais do que muitos de nós. Gosta de Amália, Cátia Guerreiro, Marisa, Camané. Conhece o mundo inteiro, mas é em Portugal que se sente em casa. Foi a Cabo Verde e conheceu uma família com um filho de 11 anos que sofria de uma doença que o deixaria, em pouco tempo, irremediavelmente surdo. Trouxe-o. Pagou-lhe a operação. Arranjou uma família de acolhimento para o receber durante meio ano. Depois de definitivamente curado, frequentou quatro meses uma Escola local. E foi-se embora, para a sua ilha, a falar francês, decerto melhor que o M. Soares! Podia ainda falar-vos da Françoise, que quer livros de autores portugueses, ou de meia centena de cidadãos que conheci, desde o director da Casa da Europa, ao mais anónimo de todos. Que querem ler Aquilino... que só tem três traduções, esgotadíssimas: "Le Roman de la Renarde" (que levei), La Voie Sinueuse", "Le Domaine"... e lêem Lídia Jorge, Mário Cláudio, Agustina, Lobo Antunes...
Jacou-Montpellier IV










Aqui, na 1ª Universidade de Medicina Europeia, leccionaram professores com o Rabelais e Nostradamus.

Interessante, esta 8ª cidade da Gáulia. Bem preservada, consorcia os estilos do passado, no presente, com um estilo futurista, sem deixar de lado uma inspiração neoclássica muito enraizada. A cidade moderna tem construções imponentes com nomes, curiosamente trazidos de culturas da Antiguidade: Corum, Polygone... e assim, saímos, de repente das estreitas e sombrias ruas medievais, com torres góticas, para entrarmos em flamejantes avenidas cheias de estátuas de Baco, da Europa (no dorso do Minotauro), de Orlando - o Furioso, do Discóbolo, da Vénus de Samotrácia, etc.
Sábado, Novembro 21, 2009
Jacou-Montpellier III
A cidade de Montpellier, cuja parte histórica tivemos o prazer de percorrer, durante todo o dia de 4ª feira, excelentemente guiados pelos Gérard, é a 8ª de França, em dimensão e importância. Centro universitário de enorme potencial, conta com 80 mil estudantes (por exemplo, a UA tem 12 mil). É um centro cosmopolita, com a vantagem de estar a 12 kms do mar Mediterrâneo e relativamente perto de outros pontos fulcrais da história de França, como Carcassonne, Nîmes, Arles, Camargue, Marselha... Uma cidade pluriracial, culturalmente muito activa.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Jacou-Montpellier II - O Grupo

Moi-même, de dos, distrait...
au milieu de la place

Dr. José Mário,
'Maire' de Sernancelhe

Profª Eugénia Pereira, da UA

O pianista, André Cardoso,
que desceu de Paris para um abraço.

A Dra. Josette Sobral,
dos 'Comités de Bien Être'

O Dr. Cláudio Vitorino,
dos 'media'

O Dr. Carlos Silva,
o 'Homem' da Cultura
Jacou-Montpellier I
Ora cá estou, recém-chegado de um périplo de 2.600 kms, que me traz de Jacou-Montpellier, no belíssimo sul de França, onde, juntamente com a Professora Eugénia Pereira, da Universidade de Aveiro, fomos fazer duas comunicações subordinadas aos temas: "Voyage autour du Portugal Littéraire" e "Je vous présente AQUILINO...". Com calma, vos contarei mais tarde, as andarilhanças pela Gáulia... 












